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Não basta se debruçar sobre finanças ou novos modelos de gestão, é preciso mais para se destacar da concorrência nesse momento

A atual crise provocada pela pandemia, diferentemente de todas as outras, mostrou ao empreendedor que não dá mais para continuar a trabalhar do mesmo jeito. Quem ousa, se reinventa, cria novidades ou fica mais próximo do consumidor leva vantagem sobre a concorrência. Ou, no mínimo, sobrevive até tudo passar.

Porém, mais do que se debruçar sobre finanças ou novos modelos de gestão, é preciso ficar atento a outros insights que podem fazer toda a diferença para sua empresa nesse momento.

Como a história de Geraldo Rufino, ex-catador de latinhas que quebrou seis vezes ao longo da vida, e virou dono da maior recicladora da América Latina apostando na diversidade e disposição para recomeçar sempre.

Ou de Léia Arieira, fundadora da Eico Cosméticos, que atua como mentora de profissionais de beleza e cuja empresa tem passado ilesa pela crise transformando equipe e clientes em embaixadores da marca.

E ainda, Leandro Queiróz, do FAAP Business Hub, especialista em inovação e acelerador de empreendedores que mostra que tentar validar uma ideia antes vale mais que estruturar um projeto sem saber se vai funcionar.

Veja a seguir como reinventar modelos e negócios com dicas dos três especialistas, apresentadas no oitavo programa da websérie SOS Empreendedor, do Fórum de Jovens Empreendores (FJE) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

IDEIAS SEM EXECUÇÃO NÃO TÊM VALOR

Transformar sonhos em projetos e em planilhas de excel é prática recorrente do empreendedor. Mas um dos erros comuns é estruturar um projeto sem validar - ou seja, sem colocar em prática para ver se funciona, segundo o especialista em inovação Leandro Queiróz, do FAAP Business Hub.

Em quase uma década de Sebrae-SP, Queiróz cita o exemplo de um mentorado que apresentou um bom plano de franquia. "Mas não adianta franquear uma ideia, e sim um modelo de negócio: o Starbucks nasceu como uma ideia de café, mas só franqueou quando virou uma empresa estruturada que ganhava dinheiro."

Tem empreendedor que sonha alto, mas não consegue alcançar o que quer porque o braço permite, afirma. Por outro lado, há os que olham somente seu pequeno ecossistema, por medo de quebrar barreiras. "Vender no seu bairro ou no próximo dá quase o mesmo trabalho: é preciso romper esse medo, ou então não expande. Afinal, um negócio nunca vai crescer com a mesma base de clientes, só com novos."

Em suma, uma ideia sem execução não tem valor. Principalmente na crise. "A ideia é o índice quatitativo, mas a execução é o valor monetário. É o que faz uma empresa ganhar dinheiro", reforça Queiróz.

MARKETING É AQUILO QUE SE FAZ COM O QUE SE TEM

Atuar num setor próspero, terceiro do mundo em comercialização de produtos, fez Léia Arieira, a fundadora da Eico Cosméticos, observar como a pandemia tornou as pessoas mais conscientes em relação ao consumo.

Por isso, entendeu que agora, mais do que nunca, cada empreendedor precisa fazer um estudo muito profundo dos seus negócios, para ficar cada vez mais próximo tanto da sua equipe quanto do seu consumidor. "Na crise, é preciso ser rápido: ela não nos dá tempo para pensar, então temos que agir."

Léia cita como exemplo aprendizados trazidos da última NRF, em janeiro último - ou seja, antes da crise -, que apontavam a importância de engajar consumidores e colaboradores como embaixadores das marcas.

E a Eico desenvolveu uma plataforma de e-commerce, ou uma espécie de marketplace com pequenas lojinhas virtuais e treinando a equipe para trabalhar de casa, fazendo vendas como influenciadores. "Foi uma experiência inovadora: em março e abril, fizemos entre 30% e 40% das vendas, como se todas as lojas estivessem abertas."

Para demonstradoras sem muita familiaridade com tecnologia, a Eico disponibilizou chips de celular para atenderem clientes pelo televendas - uma iniciativa que ajudou muita gente a se descobrir lojista, diz.

Investir é fundamental, mas é preciso desenvolver o que já existe para se reinventar, afirma. "Marketing é aquilo que se faz com o que se tem da melhor forma possível, para inovar e melhorar tudo ao redor."

Léia lembra ao empreendedor: sua principal empresa é você. "Cuide bem dessa imagem agora para sair mais forte da crise. Nunca na história estivemos tão juntos na mesma situação; se um sair, você também consegue."

QUE A FORÇA ESTEJA COM ELAS

Ser empreendedor não é ter CNPJ: é ter atitude, é ser a locomotiva que puxa os vagões, é um estado de espírito. E não ter medo de arriscar e recomeçar sempre, na crise ou fora dela, segundo Geraldo Rufino.

Criado pela mãe, que perdeu ainda criança, o dono da recicladora JR Diesel, que fatura R$ 50 milhões por ano, afirma que, mais do que isso, um dos grandes insights é dar cada vez mais oportunidade às mulheres.

"Nasci de uma deusa que não sabia ler nem escrever, mas me ensinou valores mesmo na pobreza, me mostrou que não é vergonha ser negro, que eu podia mudar minha vida. Só dependia de quanto estava disposto a isso."

Rufino destaca que, mesmo no século 21, muitos empreendedores ainda acham que mulher é sexo frágil, que precisam de espaço, que devem andar ao lado. "Cadê a humildade? Cadê a inteligência? A mulher é dona do mundo: se você quer fazer a empresa evoluir, preste atenção: ela não um tem sexto sentido; ela tem 200."

E observando as cinco irmãs, as professoras, a esposa e colegas ao longo da vida, descobriu o quanto a mulher sabe ser líder, tem poder influenciador, e até humildade de perguntar o que fazer. Mesmo na liderança.

"Perdemos muito tempo achando que somos 'os caras', e somos sim. Mas guiados por elas, vamos mais longe: se houvessem mais mulheres no comando, nós não teríamos tanto problema de desigualdade social. Teríamos até dinheiro para construir um mundo melhor - e não só na pandemia. Mulher é bússola", diz Rufino.

Se uma empresa quer ganhar dinheiro, afirma, tem de ter mulher no time. E não como gandula, atacante ou goleira: como time. Sem subestimar, e sim valorizando-as dentro dele, com respeito e reconhecimento, por sua força de influenciar, pelo poder da sua produtividade e a sensibilidade em equilibrar a equipe.

"Há homens que vestem a camisa da empresa. Mas as mulheres tatuam", destaca.

O nono programa da websérie será transmitido na próxima quarta-feira (29/07) às 16h, e pode ser acompanhado pelo Facebook e YouTube do Diário do Comércio.