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Além da guerra: os riscos ocultos que podem ameaçar investimentos em 2026

Investidor deve estar atento para situações que podem afetar os mercados e suas aplicações; veja quais e como se proteger

Os mercados financeiros têm vivido de notícia em notícia sobre a guerra do Irã desde março, ora disparando, ora despencando, tentando traçar um cenário para o mundo nos próximos meses. Com isso, outros riscos ficaram em segundo plano, mas é bom lembrar deles na hora de investir.

Há vários riscos que não aparecem no noticiário, mas que podem ganhar força nos próximos meses, diz Sergio Sérgio Samuel dos Santos, economista do Sistema Ailos. Ele cita como exemplo a questão do alto endividamento das famílias e das empresas. “O risco de crédito subiu tanto aqui quanto nos Estados Unidos, impulsionado pelo impacto dos juros longos por muito tempo no custo das dívidas, e isso começa a aparecer, aqui, com recuperações de empresas, e lá, com problemas em fundos de crédito”, diz.

Inflação pressionada

Há ainda os riscos fiscais no Brasil e nos EUA diante do crescimento dos déficits e das dívidas públicas, e os riscos inflacionários que, apesar do impacto positivo com o fim do conflito no Irã nos preços do petróleo, têm também características internas.

No caso do Brasil, os incentivos do governo e o aquecimento da economia fazem com que o IPCA siga alto mesmo com a Selic elevada. Há também pressões inflacionárias provocadas por mudanças climáticas, que se tornam mais constantes, mesmo com eventos isolados.

“O pior cenário seria a economia estagnar pelo endividamento excessivo, com pressão inflacionária, juro alto e sem espaço fiscal para governo estimular a atividade”, afirma.

Risco fiscal

O risco é aquilo que o mercado ignora e que pode pega-lo na contramão, explica João Arthur, diretor de Investimentos da Suno Consultoria. Segundo ele, o maior risco para o mercado hoje seria o fiscal, de o déficit público e a dívida pública continuarem aumentando e o próximo governo não ser fiscalmente responsável.

“Aí o juro real hoje de 7% ao ano, em vez de cair pode subir para 8%, 9% ao ano”, diz. Outros riscos, como o petróleo ficar alto por muito tempo e bater na inflação e a Selic cair mais devagar, já estão nos preços, acredita Arthur. “O risco que o mercado está mais leniente é de o déficit fiscal continuar degringolando”, alerta.

Risco Trump

Mesmo se a guerra acabar, os maiores riscos do mercado ainda virão da imprevisibilidade da política americana do presidente Donald Trump, afirma Dalton Gardimam, economista-chefe da Ágora Investimentos. A eleição presidencial brasileira também é outro risco, pois o próximo presidente terá de fazer um ajuste fiscal para limitar o crescimento da dívida pública.

“Em novembro ou dezembro devemos ter alguma proposta de ajuste, que pode ser mais forte ou fraco, mas vamos ter ansiedade e muita volatilidade até lá”, afirma.

Eleições nos EUA

Gardimam espera que a volatilidade dos mercados no exterior continue e cita como um dos fatores a eleição no Congresso americano em novembro, que pode retirar a maioria de Trump e dificultar seu governo. E há a expectativa com a economia americana e com a manutenção dos juros até o fim do ano.

“O Federal Reserve (banco central americano) tem um novo presidente que vai entrar em um período de afirmação e a inflação americana vai continuar alta, o que impede um corte dos juros mesmo com o novo presidente do Fed alinhado a Trump”, diz.

Ele não vê, porém, risco de uma bolha nas empresas de internet americanas, mesmo com o elevado volume de investimento que estão fazendo por conta da inteligência artificial. “Haveria esse risco se as empresas estivessem tomando empréstimos para investir, mas por enquanto elas estão usando lucros”, explica.

Sinais e ruídos

É preciso separar o que é sinal efetivo de risco do que é só ruído nos noticiários, afirma Eric Hatisuka, diretor de Investimentos do Family office Mirabaud. Ele lembra que, apesar da guerra, tanto o S&P500 quanto o Ibovespa bateram recordes em abril, o que mostra que o mercado já esperava que o conflito acabasse logo. “A guerra é ruído, Trump é pragmático e entrou na guerra já pensando em como sair”, diz. Ele considera a valorização do real também como extemporânea, e acredita que a moeda vai voltar a se desvalorizar.

Risco de preços

Para Hatisuka, o maior risco para o investidor ainda é o fiscal, pois a dívida pública hoje é altíssima e a disputa acirrada pela Presidência da República tende a aumentar as promessas populistas de mais gastos públicos. E isso deve impactar o real também.

Ele acredita ainda que há um risco de preço, pois os ativos subiram muito e quem ganhou com bolsa deveria realizar os lucros. E cita o caso dos Estados Unidos, cujo mercado de ações está frágil e qualquer notícia sobre frustração de resultados em inteligência artificial pode levar a uma forte realização.

Como investir nessas condições?

Para o investidor se proteger desses riscos, Santos, do Sistema Ailos, diz que a primeira opção é diversificação, seja em classes de ativos, mercados ou regionalmente. “A diversificação global também é importante”, afirma.

A diversificação no crédito deve incluir os prazos e os emissores, com maior seletividade na escolha das empresas. “Depois de anos de Selic alta, há necessidade de buscar empresas de melhor qualidade de crédito”, diz. Ele destaca que papéis do governo indexados ao IPCA estão com taxas interessantes, de mais de 7% ao ano, “uma oportunidade com retorno acima da média do próprio ativo”, afirma.

E, com a Selic ainda alta, em torno de 13%, 14%, a renda fixa de curto prazo vai ser muito interessante para qualquer carteira ao mitigar a volatilidade com bom retorno, seja em Tesouro Direto, CDB ou RDC, desde que com boa seleção de crédito. “O risco é uma constante no investimento, mas a diversificação consegue mitiga-lo e permite um retorno superior dentro desse combinado de ativos e estratégias”.

Já Arthur, da Suno, sugere a renda fixa brasileira de curto prazo como opção para o investidor mais conservador se proteger dos riscos e lembra que o CDI vai continuar alto mesmo com os cortes esperados de juros pelo Banco Central.

“Mesmo que a Selic caia para 13% e a inflação suba para 5% ao ano, o juro real ainda vai ser de 8%, sem volatilidade ou marcação a mercado”, diz. Já para os mais agressivos, a opção seriam títulos públicos também, mas de prazo mais longo. “Mas precisa ter muito estômago para aguentar oscilações com marcação a mercado”, alerta.

Ele cita a NTN-B 2065 do programa Renda Mais do Tesouro Direto. Apelidada de “B do Infinito”, o prazo médio (duration) do papel é de 50 anos, considerando os pagamentos mensais a partir de 2065 por 20 anos. “Cada ponto de alta ou baixa no juro desse papel significa ganho ou perda de 50%, mais que a volatilidade da bolsa”, afirma.